DUARTE, Rodrigo. Indústria cultural hoje.
Esta resenha trata de um dos temas discutidos por Rodrigo Duarte em seulivro Teoria crítica da indústria cultural lançado no final do ano de 2003, a indústria cultural e seus desdobramentos. O texto possui três subtítulos que discutem, de forma pormenorizada, tema como: uma comparação da chamadaindústria cultural global com o modelo clássico.
Comparação da “Indústria Cultural global” com o modelo “clássico”.
Para Duarte, uma das constatações mais perceptíveis, no que diz respeito a comparação entre indústria cultura de hoje e a de setenta anos atrás, é que a globalização do capitalismo internacional tornou a “aldeia global” uma realidade. Mas o autor ressalta que essa globalização não se dá de forma recíproca entre seus partícipes no mercado mundial de comunicações, haja vista que há um reforço na “estadunização” da cultura de massas em todo planeta. Um exemplo que o autor considera a evidência desse fato,são os dados obtidos em 1991 que mostram a adesão de 30% da televisão europeia aos produtos estadunidenses. Na Alemanha, esse índice sobe para 67%. Em contrapartida a grande maioria dos produtos televisivos- 90%- não migraram para outros países de forma tão eficaz e rápida como à dos EUA, até então.
Se esse fato é corriqueiro em países ricos, como os da Europa; pode-se imaginar o que ocorre nos demais países do mundo. Os Estados Unidos, na década de 90, consolida-se como o grande produtor mundial e os demais países, majoritariamente, seus consumidores. Outro aspecto relevante que Duarte levanta é que os outros continentes também obtêm um poder industrial cultural forte, no entanto não conseguem de forma efetiva lança-los de forma satisfatória nos outros países e com pouquíssimas chances no mercado cultural ianque.
É comum nesse sistema cultural globalizado a cada vez maior ascensãoeconômica de magnatas das comunicações, sua influência é tão grande que os mesmos chegam a influenciar no formato característico na televisão globalizada.
Os meios digitais, que antes pareciam apenas coisas de cinema, inimagináveis na realidade, hoje são os elementos que caracterizam a indústria cultural global, a sua introdução e rápida inclusão no meio social, tornam-se a cada diaindispensáveis para a grande maioria das pessoas. Essas tecnologias digitais tem recebido cada vez mais atenção pelos especuladores capitalistas por serem de baixo custo e possibilitarem uma maior efetivação dos produtores e monitoramento até chegar aos seus destinos, implicando assim num retorno financeiro e participação de forma ativa na oferta da programação.
Vigência da crítica à cultura cultural no mundo globalizado.
A teoria Crítica da Sociedade percebia seu objeto de análise como essencialmente histórico e suscetível à transformações substanciais. Em 1940 dois teóricos, segundo Duarte, apresentaram considerações acerca da indústria cultural, Horkheimer e Adorno. Duarte questiona neste tópico se as mesmas continuam pertinentes à atualidade. O autor, para melhor averiguar essa relevância divide o objeto nos seus aspectoseconômicos, ideológicos e estéticos.
No que tange ao aspecto econômico, Horkheimer e Adorno dizem que no modelo clássico as indústrias de hardware tinham o controle, majoritariamente, ainda que as empresas de comunicação tivessem suas formas de organização à maneira dos conglomerados. Na indústria cultural global hoje, essas empresas construíram uma independência satisfatória implicando assim numa forma de organização maior que os conglomerados no modelo clássicos. Um dos exemplos que o autor nos apresenta são as muitas empresas transnacionais de hardware eletrônicos que se consolidam nos países através de carteis. Esse meio é apenas um pretexto, o que de fato ocorre é que para aumentar seu domínio e monopólio em determinado lugar, matrizes compram as empresas menos prósperas ou com grande notoriedade no mercado formando assim carteis. Tudo isso implica numa quase impossível concorrência.
Outro aspecto que o autor nos apresenta é a relação marca/qualidade. Em boa parte dos países que vivem sob a égide desses conglomerados o produto quase nunca passa por uma sabatina do consumidor, o mesmo já está automatiza a pensar que tudo de determinado grupo ou logotipo está livre de dúvidas. Se um produto está com marca tal logo ele é bom para o consumo. É o que muitas franquias sustentam em muitos lugares do mundo.
No que tange ao ideológico, Duarte dividi-os em objetivos e subjetivos. Dentre as inúmeras realizações dos agentes da indústria cultural objetivos, Horkheimer e Adorno destacam a manipulação retroativa, onde somos levados a crer que necessitamos de determinados produtos pela indústria cultural ,bastante convincente, e acabamos consumindo quando na verdade os mesmos não fazem falta , efetivamente.
No que concerne aos aspectos subjetivos, pode-se dividi-los em defensivos e agressivos. No âmbito dos aspectos ideológicos defensivos, os teóricos apontam esse aparelho como uma religião, salvando as relações pessoais que a cada dia estão mais comprometidas. A indústria cultural é tomada como pretexto para quebrar o que comumente se chama de “gelo”. Filmes, novelase reality shows são temas que muitas vezes, segundo o autor, aproximam as pessoas. Em contrapartida, o aspecto agressivo tem um formato de alienação. As mídias formando o caráter e a opinião dos sujeitos. Essas questões são tão profundas que o sujeito alienado, a favor das ideias impostas pela cultura de massa, mostra-se agressivo quando contrariado.
Desdobramentos estéticos da expropriação do esquematismo
Horkheimer e Adorno sugerem em suas considerações que a admissão do filme sonoro na década de 20 deu-se novo alento ao projeto da indústria cultural de emular a realidade viva a ponto de, eventualmente, chegar a substitui-la. Essa situação parece indicar a rápida ascensão dos meios que terá seu ápice no advento da realidade virtual, onde a capacidade dedistinção entre real e virtual está a cada vez mais difícil.
No que diz respeito ao realismo, encontramos, segundo Duarte, muitos problemas em relação à dimensão dos exibidores. As potências dessas mídias estão, diretamente, relacionadas com o poder, pois quando estamos de frente para um grande exibidor ou então pequeno exibidor medimos nossa importância e grandeza de acordo com o tamanho. As imagens de pessoas exibidas nesses aparelhos nos fazem pensar as mesmas como semideuses, haja vista seu tamanho descomunal.
O autor quando escreve este livro, está ainda no processo de construção ou de projeção dessa indústria cultural global. Hoje,tudo isso premeditado por Rodrigo Duarte já é realidade. Podemos, quiçá, denominar esta eraqueestamos,que não está tão distante da construção da escrita do autor, de indústria cultural global ou simplesmente globalização, enquanto que há sete anos, podemos denominar como modelo clássico. A efemeridade é uma das características desse período tão assustador, assim como inovador.
Resenha direcionada à disciplina Prática de Produção de Espetáculo por Gilberto dos Santos Martins, discente do Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Maranhão.
Um comentário:
Que sejamos amaldiçoados por todas as Moiras de modo que nosso sangue venha a regar o solo de onde pisamos e elucidamos as nossas escolhas, o nosso ato de fazer TEATRO!!!
QUE POSSAMOS AMAR A TUDO ISSO ATÉ A MORTE QUE NOSSA CONDENAÇÃO SEJA DE PRAZERES , DE ATOS, ENTRE ATOS E MUITO RECONHECIMENTO!!!
OM NAMAH SHIVAYA!!!
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