quinta-feira, 2 de setembro de 2010

NÚCLEO ATMOSFERA DE DANÇA-TEATRO "Processo de As Cores de Frida"

A minha relação com Frida se dá a partir do momento que assisto as várias apresentações do espetáculo. Embora de forma inconsciente, tem se tornado objeto de muitas dúvidas e uma constante busca por respostas.
Frida se apresenta a mim como uma fortaleza; uma mulher, talvez o termo “mulher” não seja apropriado pois implica numa certa restrição de gênero, que trás em seu bojo o incomensurável cosmo. A afirmativa acima se dá por visualizar aspectos de sua postura e personalidade próprias de um ser masculino. Desafiadora, veemente, sedutora, doce, obstinada. Assim, conclui-se que Frida é um misto dessas duas naturezas complexas.
“Pés para que os quero se tenho asas para voar”; voar para o infinito, voar paradentro de nós e refletir acerca de atitudes, de posições ideológicas e nos questionarmos o por quê de estarmos aqui, de fazermos o que fazemos. Convicção, convicção, convicção, sem estar preso as formas e as estéticas e a classificações.
A primeira vez que assisti ao espetáculo “As cores de Frida”, em hipótese alguma cheguei a imaginar que um dia estaria imerso naquele contexto. Apenas apreciava como qualquer outro espectador, assistia a cada cena, e as observava com muito cuidado para não perder nenhum detalhe, implicando assim na melhor compreensão do que eu estava assistindo. Em alguns momentos não conseguia compreender o por quê de determinados gestos, tantas repetições e sobretudo, tamanho silêncio. Mas parece-me que essas questões estão se esclarecendo aos poucos nesse momento.
O convite para participar do espetáculo surgiu a partir de uma ligação dirigida a mim feita por Leônidas Portella, diretor do espetáculo e ex-colega de turma da Universidade. Essa ligação foi recebida no Teatro Arthur Azevedo pois trabalhava naquela instituição até então. Conversamos, ele me explicou qual seria a proposta, queria fazer o espetáculo só com “profissionais”. A principio exultei, mas ao mesmo tempo refleti muito sobre o meu processo e a fusão deste com o processo do grupo, haja vista que o mesmo já tinha o espetáculo “pronto”. Aí também apareceram outras dúvidas: haveria um outro processo para “As cores de Frida”? Quem, além de mim, entraria para esse novo elenco. Um grupo com muita gente, realmente, funciona? Mesmo com tantas dúvidas estava muito feliz. Leônidas, durante a conversa por telefone me falou do mês de início do trabalho mas não o dia. Devo ressaltar que, Rosa e Neusa já haviam sondado os meus horários durante um pequena conversa no Teatro Arthur Azevedo.
Num dia comum como qualquer outro, eu encontro Neusa no mesmo prédio que estudo na Universidade, entre conversas rápidas, pois estava resolvendo algo, me falou o dia que iniciaríamos o processo, mas disse que confirmaria essa data por e-mail. Talvez por desatenção não lembrei da data de início e nem me foi confirmado por e-mail.
Esse desencontro causou um certo desconforto, tanto em mim, pois não sabendo , exatamente, que havia acontecido, era recepcionado nas ruas com uma certa frieza e também para o grupo pois no primeiro encontro ter faltado um elemento. Nesse período estava trabalhando na produção de um evento de teatro, e em uma dessas apresentações algumas pessoas do Núcleo foram assistir ao espetáculo, foi então que soube que já havia começado, Neusa demonstrou-se tão decepcionada que nem me deu atenção quando me aproximei dela, no entanto Marina me perguntou, também mergulhada em uma certa decepção, o por quê de não ter ido ao encontro. Aí então que fui entender aquele relação insólita. Alguém, nesse momento não lembro quem, me falou que eu devia falar comLeônidas pois, provavelmente, eu já estaria fora. Foi então que falei com Leônidas por telefone e, enfim, foi tudo resolvido.
O primeiro encontro é sempre cheio de entusiasmo pelo trabalho que nos espera , embora eu já houvesse perdido o primeiro encontro de fato. Ao chegar passei os olhos para tentar identificar as pessoas com as quais trabalharia e algumas me surpreenderam com Tathiele e Marinildes pois muito raramente as via. Haviam pessoas que eu não conhecia como Cleicy, Luis, Alex(somente de que palco),tinham outras como o Thiago e seu irmão que sempre nos cumprimentávamos pelas ruas. Além , é claro, das que já conhecia.
Durante os exercícios físicos tive algumas dificuldades, haja vista que estava completamente fora de forma, em contrapartida imaginava que fosse mais difícil apreender a coreografia mas não tive dificuldade irremediáveis, apenas detalhes que iniciam e terminam o movimento.
A seleção natural é algo que sempre tive plena convicção em relação a um trabalho de grupo, sobretudo um grupo onde se tem muitas pessoas, e foi isso que aconteceu. Éramos muitos e no entanto fomos nos reduzindo, por vários motivos isso aconteceu.
Sempre tive um pouco de resistência a grupos grandes, passa-se mais tempo chamando a atenção das pessoas do que trabalhando. Mas no Núcleo não houveram tantos problemas durante o processo, com algumas exceções, obviamente.
Ter um bom relacionamento com o parceiro de cena/ou de cenas, é fundamental. Ainda que não cruzemos nas opiniões é importarrespeitar para que não se quebre a ordem do processo do espetáculo. Inúmeras vezes tive que concordar com algumas falas para que não houvesse nenhum embate implicando num problema maior posteriormente. Mas enfim, somos muitos, muitas cabeças, muitas personalidades, e que bom que não somos iguais uns aos outros, pois o que nos faz crescer é justamente essa diferença de opiniões e de pontos de vistas.
As relações que se cria nesse processo de Frida tem a cada dia se tornada mais estreita, pois estamos em prol de algo que nos é comum.
CENA AMARELA
Esta cena sempre foi um desafio para mim pois fico em uma posição que não consigo olhar para ninguém, no início do processo até que dava para olhar um pouco Alex que está do meu lado mas com as últimas modificações não consigo mais. Então sigo apenas a ordem da respiração para realizar o movimento.
Carregar um corpo é uma responsabilidade muito grande. O corpo que se deixa levar, que confia em você precisa ser correspondido.
O sentimento de morte e vida, o deixar-se esvair e a reabilitação andam juntos, initerruptamente, nessa cena queé levado ao extremo.
CENA VERDE
Essa cena sempre me causou muito medo porque tenho que carregar Cleicy de cabeça para baixo e qualquer descuido meu ela pode se machucar, sem falar que devo está atento à letra da música para que todos os movimentos posteriores aconteçam na hora certa, então é um cenamuito perigosa.
Quando carrego a companheira de cena no meu pescoço tenho que ter muita força para não derrubá-la. Ainda bem que o maior problema dessa cena é a tensão causada e não porque a companheira está querendo me prejudicar ou não se posicionar de forma confortável para ambos.
Esta cena me traz uma ideia de solidão, de desejo não realizado, decepção mas com um profundo ardor por mergulhar em algo de cabeça.
CENA VERMELHA
A minha relação com Tathiele advém de muitos tempos porque estudamos e também já fizemos alguns trabalhos juntos. O grande problema dessa cena é eu saber dançar o tango. Ainda não consegui pegar o espirito da coisa para que nossa performance se apresentasse da melhor forma. Além de sempre tá mudando algo talvez me confunda mais ainda. Mas é fantástico, fico morrendo de medo de errar a contagem e me perder no palco.
A revolução dos instintos, nada me segura.
CENA NEGRA
Embora eu não esteja em cena mas tenho uma profunda admiração estética por ela, uma vez que a sua delicadeza é encantadora.
Neutralidade, calmaria e obscuridade são os nomes de cena.

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