PENSANDO NA INDÚSTRIA... prefiro ficar no comércio...
Em a dialética do esclarecimento no capítulo sobre a indústria cultural, vemos logo no início que o caos cultural é apontado como conseqüência da dissolução dos regimes pré-capitalistas, da diferenciação técnica e social e a especialização do trabalho.
Mas a frente os autores falam do fato do cinema e do rádio não se apresentar mais como arte, não passando de mero negócio. Diz ainda que os milhões de viciados que aderem a indústria cultural de massas impõe métodos de reprodução que disseminam os bens padronizados em necessidades iguais. Porém na era em que vivemos o discurso de que esta forma dita “ianquiana” seja um mal, se torna mais clássico que o modelo clássico referido por Duarte.
Este padrão se consolida pela resposta do próprio consumidor que é o objeto final da produção. Vejamos as novelas. O cara conhece a mulher e se apaixona, mas ela não é exatamente quem ele pensa. Depois ela tenta matá-lo. Foge dele e ele bocó Matolli, vai atrás. Daí o público brasileiro vê uma série de contrastes e coincidências, que algumas vezes mesmo retrata aspectos cotidianos da vida real. Mais daí vários personagens que são parentes se apaixonam ou se apaixonaram. Em seguida tudo gira em torno de uma só família. E neste núcleo está o ibope registrando a expectativa do povo em ver triunfar o “mocinho” Ramos como se ele ainda fosse aquele galã de 25 anos atrás. Tudo se inverte. Os bonitões são vilões. Seria absurdo se eu não estivesse falando de um folhetim, não devemos nos apegar a detalhes e aceitar o inverossímil.
Mas quem faz a trama das oito é o cidadão sentado todas as noites à TV. A novela vai sendo escrita de acordo com a resposta do público. Por isso existem os colaboradores para cada núcleo dramático. O produto cultural está presente não só nos meios de comunicação, mas no inconsciente coletivo que sem nem saber quais pulsões movem esta necessidade de cultura de massa promove a reprodução e padronização de valores culturais, as vezes particulares demais pra serem democratizados.
Paul Ricouer, filósofo francês, ao falar de multiculturalismo, diz que as culturas tradicionais tendem a se extinguir pela simples perda de seu isolamento. Ora em nome de uma dita política cultural de ampliar e salvaguardar as culturas, ora pela democratização da produção cultural a fim de levar a todos as mais diversas formas de expressão, acreditando ingenuamente, na manutenção destas iniciativas.
A indústria cultural hoje não só é mantenedora dos padrões de consumo como também pode ao mesmo tempo, que maléficas, gerar benefícios para sociedade. Vejamos do ponto de vista da nossa vontade. Ora, queremos consumir aquilo que aguça nossos sentidos e nos transporta ao mais catártico efeito de relaxamento seja pelo riso ou pelas lágrimas. O produto cultural, e é assim que deve ser entendido é destinado ao consumo.
Por ser uma expressão simbólica, imaterial, seu valor de uso fica na memória, na possibilidade de instigar uma tomada de atitude.
O papel da indústria cultural está correto. Mesmo moldado por parâmetros ianquianos, faz sua parte. Produção de um espetáculo só tem alma se valorizar a sua finalidade, o consumo. A idéia de querer que a produção cultural não se torne um produto de massas é deveras equivocada. Deve sim ser destinada as massas. Por mais contemporâneo que seja a obra shakespeariana que se queira fazer, ainda assim é preciso pensar em um público. Produção se refere a quantidade, coletivo. E nesta fornada, tem-se a matéria-prima, os operários, as idéias e o produto final.
Adorno e Hokheimer são mais categóricos ainda ao enfatizarem que o entretenimento e os elementos da indústria cultural podem se ufanar de erigir a transferência da arte para a esfera do consumo, despindo a diversão de suas ingenuidades inoportunas e de ter aperfeiçoado o feitio das mercadorias. Veja Hollywood! Claro que não viveremos para ver guerra Avatarianas, e nem conheceremos a Matrix... Mas as pessoas querem a fantasia, aquilo que lhes dê prazer!
A menos que possamos viver em uma sociedade nos moldes primitivos e independente do fenômeno globalização, o que produziremos no intuito artístico é a projeção de nossas vontades. A produção cultural, e digo produção porque pertence mesmo a uma indústria, a do entretenimento, precisa ser pensada como produto de massas. Acreditar que a arte pode ser democrática e qualquer expressão artística deveria ser consumida para valorizar o artista, é narcisismo extremado.
Assim como os automóveis, tem-se que valorizar a forma e o conteúdo. O produto cultural deve pensar no conforto, na praticidade, na economia, na sustentabilidade e na potência de seu motor. Em nossa era, se torna contraditório ir contra estes rigores, talvez até mesmo refutá-los. Mas que tal aproveitar a oportunidade que se tem de se expressar ou pelo teatro ou pelo cinema as nossas moções. Hum?
Indústria cultural não é um mal. O mal está no que fazemos com o que produzimos, e se estamos querendo funcionar fora desta indústria, estaremos agindo no mercado negro. Fazendo da mais refinada obra de arte, muamba paraguaia, em que meia dúzia de sensações estéticas faça acreditar que ali há uma obra de arte.
Não pertencer a essa indústria, que é um fenômeno global é estar a margem da nova ordem social que se instaurou no mundo pós-guerra. Cultura sempre foi produto. A questão não é o tratamento ou a perda de sua originalidade...
Quem faz esses produtos está distante da sua prática? Acredita? Ou é mais uma ferramenta alienada desta enorme engrenagem que é a vida?
Waldir Fernandes
Um mero e pretenso
Produtor Artístico
Um comentário:
Oi, sou eu, Stéphanie
estou só querendo te deixar um recadinho, tentei no orkut mas não consigo...
As aulas já começaram semana passada
perdi meu cel na semana anterior
Estarei hoje te aguardando às 18:00 na lanchonete do cch
Senão, estarei no bloco um, último andar, na sala em frente ao corredor ou passarela
Certo? qlqr coisa, me liga no 3228-0536 hoje a tarde ou 3221-2551 hoje a noite.
Só amanhã a noite dormirei no paço do lumiar e estarei naquele número q tens...
ok?
abraço e espero q até mais tarde
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